Cirurgia Cardíaca Infantil

A cirurgia cardíaca infantil é muito diferente da cirurgia cardíaca de adulto. É muito importante que o atendimento seja feito em um Hospital com equipes especializadas no atendimento destes pacientes pois as necessidades de cuidados são maiores.

A cada 100 crianças nascidas, aproximadamente 1 acaba por precisar da atenção de um cardiologista pediátrico, embora não necessariamente de uma cirurgia no coração.

Algumas doenças podem se manifestar logo após o nascimento e precisar de uma cirurgia ou mesmo não ter sintomas quaisquer que dificultam o diagnóstico e tratamento.

As cardiopatias podem ser divididas em cianóticas e acianóticas, quando o fluxo pulmonar é insuficiente, a cardiopatia e dita cianótica, deixando a criança com cianose (roxa), são doenças como a tetralogia de fallot, transposição de grandes artérias, atresia pulmonar, anomalia de ebstein, truncus arteriosus, drenagem anomala total, etc. Já nas acianóticas, existe o hiperfluxo de sangue aos pulmões, e predominam os sintomas de insuficiência cardíaca (cansaço), as doenças são premeabilidade do canal arterial, comunicação inter-atrial, comunicação inter-ventricular, defeito de septo parcial e total.

Algumas doenças não se classificam perfeitamente nestas condições, como o anel vascular, cor triatriatum, coarctação de aorta, membran sub-aortica e estenose aortica, mas geralmente são classificadas como acianóticas.

São as doenças mais frequentes:

Anel vascular: ocorre quando um vaso realiza um laço em volta do esôfago ou traquéia, dando sintomas de compressão de vias aéreas ou digestivas, link para artigo de diverticulo de kommerel, o tratamento consiste na secção do vaso. A causa mais frequente é a origem anômala da artéria subclavia direita, mas neste caso, apenas é feita a cirurgia com a comprovação do estreitamento.

Permeabilidade do canal arterial: muito comum em prematuros, é o defieot extra-cardíaca mais comum. Representa a comunicação da aorta com a artéria pulmonar. Geralmente seu diagnóstico leva à cirurgia ou mais recentemente o fechamento por dispositivos percutâneos. Foi a primeira cirurgia cardíaca realizada, feita por Gross em 1936.

Coarctação da aorta: é o estreitamento da aorta após a saída do coração, pode precisar de cirurgia de emergência. As pessoas com esta condição apresentam hipertenão arterial e geralmente têm um diminuição da pulsão dos pés em comparação com as mãos.

Foramem oval patente: muito comum na população, geralmente não há indicação de tratamento, apenas em casos de derrames (acv) com origem embólica. Atualmente não há consenso na literatura sobre qual a conduta mais correta.

Comunicação inter-atrial: Consiste em uma falha na parede dos átrios, permitindo a passagem do sangue de um lado para outro, é a cardiopatia congênita mais comum do adulto, pois geralmente dá poucos sintomas atrasando seu diagnóstico. A cirurgia deve ser feita em idade pré-escolar e sua indicação depende dos sintomas e a repercussão da doença, determinado pelo ecocardograma.

Comunicação inter-ventricular: consiste na comunicação entre os dois ventrículos, o sangue passa do lado esquerdo para o direito pela diferença de pressão, se não tratado pode levar a hipertensão pulmonar. A maioria dos caso tem cura espontânea, é comum ouvir que determinada pessoa tinha sopro que sumiu após alguns anos. A cirurgia é indicada conforme a localização da lesão no coração ou sua repercussão determinada pelo ecocardiograma.

Defeito de septo parcial: consite na presença de uma falha na divisão dos átrios e uma abertura na válvula que fecha o ventrículo esquerdo (mitral), geralmente seu diagnóstico implica na indicação de cirurgia, na idade pré-escolar.

Defeito de septo total: é uma doenca complexa, que geralmente ocorre na Síndrome de Down, consiste na presença de uma falha entre os átrios e os ventrículos e a presença de uma válvula única entre eles, no lugar de duas. As crianças com Síndrome de Down com esta doença devem realizar a cirurgia antes dos seis meses de idade, pelo risco de hiperteñsão pulmonar.

Tetralogia de fallot: uma das cardiopatias cianóticas mais comuns, consiste no estreitamento da saída do ventrículo direito e uma abertura entre os ventrículos, desta maneira o sangue sem oxigenação passa para a circulação do corpo, deixando a criança cianótica (azulada). Em alguns casos a cirurgia tem que ser feita logo ao nascimento (blalock) ou mais tarde conforme a gravidade dos sintomas.

Transposição de grandes artérias: é a cardiopatia cianótica mais comum, seu diagnóstico implica em uma cirugia nos dias subsequentes ao nascimento. Consiste na troca da posição dos vasos que saem do coração e sua cirurgia promove a relocação na posição adequada (cirurgia de jatene). As crianças com este diagnostico precisam de atendimento em um centro especializado, com casos de uso de medicações especiais e de cateterismo.

Hipoplasia do coração esquerdo: é uma cardiopatia muito grave, necessita de tratamento logo após o nascimento em uma unidade especializada, com administração de medicações especiais. Consiste em um desenvolvimento inadequado de toda parte esquerda do coração, seu tratamento pode ser a cirurgia de norwood ou recentemente para casos mais graves um tratamento chamado de hibrico, com uso concomitante de cirurgia e stents.

Fisiologia de ventrículo único: nome genérico para várias situações onde apenas um ventrículo deverá manter toda a função cardíaca, podem ser usadas na hipoplasia de coração esquerdo, transposição com estenose pulmonar, dupla via de entrada de ventrículo esquerdo, defeito de septo desbalanceado, etc. As crinaças que têm esta situação devem sempre acompanhar com cardiologista especializado.

Algumas cirurgias apresentam o nome das pessoas que desenvolveram a técnica e são usadas até hoje.

Blalock-taussig: A história desta cirurgia pode ser vista no filme Quase Deuses, com Willian Hurt, é usada para tratar cardiopatias cianóticas, aumentando o fluxo de sangue para o pulmão por uma comunicação artificial entre a aorta e a artéria pulmonar, usando um tubinho. Éè considerada uma cirurgia paliativa, ou seja, pode precisar de outras para complementar o tratamento.

Glenn: Consiste na união da veia subclavia com a artéria pulmonar esquerda, para aumentar o fluxo de sangue para o pulmão, deve ser feita após os 2 meses de idade, é considerada uma cirurgia paliativa e geralmente é feita a cirurgia de Fontam alguns anos depois, criando a fisiologia de ventrículo único.

Fontan: ultima cirurgia feita para criação da fisiologia do ventrículo único, exclui o retorno do sangue dos membros do coração, direcionando para os pulmões. Seu desenvlvimento tambem é creditado ao grande cirurgião argentino dr. Kreutz, que fez residência no InCor em são Paulo, com o dr. Zerbini (link para artigo).

Norwood: desenvolvida para o tratamento da hipoplasia do coração esquerdo, é uma cirurgia complexa, onde é criada uma saída única do coração para a grande circulação e criado um desvio de sangue para os pulmões.

Jatene: criada pelo prof. Adib Jatene no Incor de São Paulo e é considerada uma das maiores contribuições do Brasil para a medicina. Consiste na troca de posição dos vasos do coração para o tratamento da transposição das grandes artérias e recolocação das artérias coronárias.

Dr. Décio Cavalet Soares Abuchaim - Cirurgião Cardiovascular - CRM 7454
Rua Armando Odebrecht, 70 - Sala 310 - Bairro Garcia - CEP 89020-403 - Blumenau/SC - Telefone (47) 3222-1060
Desenvolvimento iForma