Estimulação Cardíaca

O marcapasso "próprio" do coração

Nosso coração tem um sofisticado sistema para manter os batimentos cardíacos, que enviam o sangue para todo o corpo. Células especializadas no átrio direito espontaneamente iniciam a atividade elétrica que, conduzidas por nervos, estimulam a contração cardíaca.

Quando estes batimentos por algum motivo se tornam irregulares, são chamados de arritmias. As causas podem ser várias, desde congênitas (desde o nascimento), relacionadas a infartos, cirurgias cardíacas, fibrose (envelhecimento) do sistema de condução, medicações. O fato de uma pessoa ter uma arritmia, não necessariamente indica a necessidade de um tratamento e cada caso deve ser discutido com um médico.

As arritmias mais freqüentes

Bradicardias: representam os batimentos lentos do coração, quando esta situação causa sensação de cansaço, tontura ou desmaios, geralmente são indicados implantes de marcapasso após uma análise cuidadosa do eletrocardiograma, holter e demais exames cardiológicos. Considera-se uma faixa normal dos batimentos valores de 60 a 120 batidas por minuto, mas isto é muito variável, dependendo da idade, se a pessoa pratica exercício e uso de remédios.

Bloqueios: podem ser de vários graus (de primeiro a terceiro) e representam diferentes níveis da dificuldade do estímulo chegar até os ventrículos. Os mais simples podem não precisar de tratamento qualquer, os mais avançados geralmente precisam de um marcapasso.

Fibrilação atrial: arritmia das mais frequentes, apenas tem indicação de marcapasso se forem muito lentas ou quando são extremamente rápidas e seu tratamento exige que o nervo do coração seja "seccionado" por ablação e assim o marcapasso passa a comandar todos os batimentos de forma ordenada.

Taquicardia ventricular: ocorre quando o estímulo dos batimentos se origina de um local nos ventrículos, no lugar do átrio. Como pode ter uma aceleração acentuada pode causar vários sintomas, como tontura, desmaio e desencadear arritmias mais graves, como a fibrilação ventricular. Pode ser tratada com medicações, por cateteres (ablação por eletrofisiologia) ou colocação de desfibrilador, sempre definida por um médico especialista.

Fibrilação ventricular: no lugar de um ponto do ventrículo iniciar o estímulo, vários locais desencadeiam, provocando um movimento irregular do coração que não gera a contração do músculo. É uma condição muito grave. Pode ter várias causas sendo a mais comum o infarto. Necessita de tratamento imediato quando se manifesta, pois pode levar à morte.

Marcapasso

O marcapasso é um aparelho desenvolvido para tratar as bradiarritmias, ou seja, acelerar ou regularizar os batimentos. Consiste de um sistema formado de um gerador e cabos.

O gerador pesa cerca de 20g e tem forma arredondada, seu interior tem uma bateria e um circuito eletrônico, este responsável pela identificação dos batimentos e do impulso elétrico ao coração.

Os cabos ou eletrodos são recobertos por silicone e vão do gerador ao coração por veias, permitindo o aparelho identificar as batidas por meio de sua eletricidade e estimular quando necessário. Podem ser únicos (unicamerais) ou duplos (bicamerais), a indicação depende de cada doença ou de pessoa a pessoa.

O implante é feito geralmente em centro cirúrgico, sob anestesia local ou geral, variando conforme a equipe médica. O cuidado pós-operatório é feito em UTI ou enfermaria, conforme a gravidade da situação.

A bateria tem duração estimada de 5 a 10 anos, desta forma o acompanhamento periódico é fundamental. Não falte às suas consultas.

Ressincronizador

O ressicronizador é um aparelho especial de marcapasso, desenvolvido para o tratamento da insuficiência cardíaca. Quando uma pessoa tem insuficiência circulatória, com uso de medicações em dose adequada e tem achados específicos em seu eletrocardiograma (bloqueio de ramo esquerdo), dilatação pelo ecocardiograma ou exames que mostrarem um descompasso entre o batimento do ventrículo direito e o esquerdo (dissincronia), habitualmente este aparelho pode ajudar, mas não substituir a medicação.

O gerador pesa cerca de 25g e tem forma arredondada, seu interior tem uma bateria e um circuito eletrônico, este responsável pela identificação dos batimentos e do impulso elétrico ao coração. Aparelhos mais modernos podem estar associados a um desfibrilador e até identificar o excesso de líquido no corpo, que auxiliam o médico na prescrição de remédios.

Os cabos ou eletrodos são recobertos por silicone e vão do gerador ao coração por veias, permitindo o aparelho identificar as batidas por meio de sua eletricidade e estimular quando necessário.

O implante é feito geralmente em centro cirúrgico, sob anestesia geral, o implante pode ser feito pelas veias ou com a colocação de um cabo diretamente no coração, por uma pequena incisão, conforme a experiência da equipe médica uma ou outra técnica pode ser feita. O cuidado pós-operatório é feito em UTI ou enfermaria, conforme a gravidade da situação.

A bateria tem duração estimada de 5 a 10 anos, desta forma o acompanhamento periódico é fundamental. Não falte às suas consultas.

Desfibrilador

O desfibrilador é um aparelho desenvolvido para tratar arritmias graves do coração. Tem indicação para o tratamento de arritmias graves como a taquicardia ventricular e fibrilação ventricular, sempre associado ao uso de medicações e após uma análise cuidadosa de exames, principalmente o estudo eletrofisiológico.

Consiste de um gerador e eletrodos. O gerador tem peso de 100g aproximadamente e em seu interior tem um sistema eletrônico e uma bateria. Os eletrodos vão do gerador até o coração através de veias ou colocados diretamente por uma incisão no peito.

O sistema eletrônico permite que o aparelho identifique as arritmias por algoritmos (programas) sofisticados e desencadeiam um choque que cessa a atividade elétrica do coração momentaneamente e assim há possibilidade do ritmo voltar ao normal.

Este mesmo sistema tem uma memória que permite ao médico estudar os eventos (arritmias) identificados pelo aparelho e fazer os ajustes necessários de programação ou medicação.

Os eletrodos são cabos metálicos recobertos por silicone que trazem os sinais elétricos do coração e permitem ao gerador identificar o batimento normal, arritmias que necessitam de tratamento e também por eles que o choque é dado no coração. Podem ser únicos (ventriculares) ou duplos (atrial e ventricular) e a escolha depende do tipo de doença que está sendo tratada.

O implante (colocação) é feito no centro cirúrgico, sob anestesia geral, habitualmente com observação pós-operatória em unidade de terapia intensiva. Por um pequeno corte abaixo da clavícula, posiciona cabos até o coração através de veias e coloca o aparelho sob a pele ou sob os músculos da parede torácica. Após os testes são realizados, onde se desencadeia a arritmia de forma controlada e o aparelho identifica e aplica o choque. O tempo de internação geralmente é curto, dois dias, porém varia de pessoa a pessoa.

Sua bateria tem uma vida útil de 5 a 10 anos, desta maneira, o acompanhamento com mécido especialista é fundamental.

Quais os cuidados após o implante de um marcapasso, desfibrilador ou ressincronizador?

Estes cuidados são genéricos, sempre discutir os cuidados adequados com o seu médico.

A recuperação varia a cada pessoa e pode demorar apenas alguns dias ou meses, habitualmente a dor não é significativa e responde a analgésicos comuns. Raras vezes as medicações cardiológicas são suspensas e normalmente o implante de um aparelho permite o aumento da dose. Nunca modifique a medicação sem orientação médica.

Normalmente após a alta o médico dá um manual com explicações, leia atentamente e tire todas as dúvidas.

Não saia de casa sem sua carteira de identificação de marcapasso, que é dada após o implante.

Sempre informe ao seu médico alterações no local da cirurgia, como a mudança de cor, presença de secreções, sinais de infecção e dor local.

Não carregue peso até seu médico autorizar, geralmente após 15 dias de cirurgia as atividades habituais podem ser retomadas.

Não erga o braço do local da cirurgia acima da altura do ombro na primeira semana.

Sempre que for a outro médico, dentista, fisioterapeuta, informe que tem um marcapasso. Alguns procedimentos como ressonância magnética, estimulação elétrica transcutânea ou extrações dentárias podem ser totalmente proibidas ou necessitarem de cuidados especiais como uso de antibióticos. Cirurgias com eletrocautério só podem ser feitas com cuidados especiais.

Como é feito o acompanhamento dos aparelhos?

O médico agenda uma consulta onde é analisada a memória dos aparelhos. Totalmente indolor e rápida, usando um equipamento especial, todos os eventos são transmitidos a um computador. É fundamental um acompanhamento periódico. Nunca deixar de visitar seu médico, sua vida pode depender disto.

Situações especiais

Esportes: Não pratique esportes em que possa haver uma pancada ou bolada no gerador. Isto pode causar dano ou desprogramação. São exemplos o futebol, vôlei e basquete. Hidroginástica, natação, ciclismo, corrida ou outros esportes podem ser praticados após orientação médica.

Voltar a dirigir: Após o implante de marcapasso ou ressincronizador, cerca de duas semanas, em portadores de desfibrilador, somente após autorização médica específica.

Relações sexuais: para a maioria das pessoas as relações não apresentam risco e de certa forma, assemelham-se a exercícios físicos moderados. Em portadores de desfibriladores, em raras ocasiões, pode ocorrer o choque, nestes casos não há risco para a parceira ou parceiro, mas o médico deve fazer uma reprogramação.

Interferências

Muito se fala a respeito de interferências em marcapasso, mas não há risco se os equipamentos elétricos de sua casa e trabalho forem aterrados.

Evite

Colocar imã sobre o aparelho ou fontes eletromagnéticas importantes próximas (20 cm), como um auto-falante.

Choque elétricos: podem causar a desprogramação, caos tenha um, deve consultar seu médico.

Ressonância magnética: não faça, salvo estrita autorização médica.

Aparelhos de telefonia móvel (celular): alguns dispositivos, mais modernos, não sofrem interferência. De forma geral, use o aparelho do outro lado do corpo onde o dispositivo está.